Paróquia Santo Antônio - Itapira - Diocese de Amparo
 
 

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MISSA DO CRISMA -QUINTA FEIRA SANTA/2011:

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Prezados irmãos e irmãs no batismo, prezado bispo Emérito D. Francisco, queridos presbíteros, reunidos para celebrarmos esta Eucaristia, na qual vamos consagrar o crisma e benzer os óleos do batismo e dos enfermos. Nesta celebração, mais que em outras oportunidades a Igreja quer sinalizar e manifestar a comunhão dos presbíteros com o bispo, sucessor dos apóstolos e centro da unidade de sua Igreja.
Nas celebrações do tríduo pascal, que hoje à tarde se iniciam, torna-se presente e atuante, pela ação permanente de Jesus Cristo e de Seu Espírito Santo, a misericórdia do Pai. Celebrando, temos renovado em nós o dom da vida divina, que é a capacidade que nos foi dada de entrar, pelo batismo, no dinamismo do amor trinitário. Nas celebrações que se dão estes dias, vamos muito além da reconstrução da morte e ressurreição do Senhor, como acontecimento do passado. Nos ritos que celebramos podemos encontrar-nos com o Cristo que vive, e nos comunica a energia transformadora de seu amor. É Jesus que na força do Espírito Santo continua sendo o protagonista central de toda a ação litúrgica que celebraremos mais uma vez na “Semana Santa”.
Nesta celebração que agora vivenciamos, manifesta-se o mistério do sacerdócio de Cristo, participado pelos ministros constituídos em nossa Igreja Diocesana. Os presbíteros realizam a unidade do seu sacerdócio no único grande sacerdote que é Jesus Cristo. Todos nós, bispos e presbíteros somos “servidores do Mistério”. Mistério da redenção operado por Jesus Cristo na sua paixão, morte e ressurreição. Hoje os presbíteros renovam seu compromisso ao serviço deste Mistério em benefício do Povo de Deus. Foram ungidos sacerdotes para sempre, servidores do povo de Deus.
A Palavra de Deus que acabamos de ouvir, deve ser compreendida por nós na perspectiva de que em Jesus, o Pai criador recria todas as coisas, com Jesus começa um mundo novo, o mundo da graça no qual o pecado é derrotado. Ele veio proclamar o “ano da graça”, ano que não tem fim, porque através dele a graça de Deus triunfa sobre a desgraça. Por isso Jesus é ungido pelo Pai e enviado com a missão de refazer todas as coisas: em Cristo somos novas criaturas! Com Ele começam o novo céu e a nova terra, nos quais não haverá mais luto nem pranto, nem noite nem medo, porque Deus será a luz que ilumina de dentro de nós. Pelo batismo e a unção crismal, somos chamados por Ele a colaborar na obra da redenção, como discípulos e missionários.
A missão de Jesus é a missão de “anunciar a boa-nova aos pobres, proclamar a libertação aos cativos e restituir a vista aos cegos e libertar os oprimidos” (Lc 4,18-19). Esta é a missão de Jesus: levar as pessoas à felicidade em Deus. Para isso é necessário terminar com tudo o que impede as pessoas de se unirem com Deus e entre si, é preciso trabalhar para que sejam suprimidas as causas do pecado como desespero, angústia, miséria e morte. O Evangelho avança onde se prega a Palavra de Deus, mostrando sua paternidade e seu amor, e junto com isso, operando sinais que indicam a verdade do que se prega. Se Deus pode nos libertar do pecado e do mal, é preciso sinalizar esta libertação como o fez Jesus com seus milagres (vamos abençoar o óleo dos enfermos, sinal de cura para a humanidade ferida). Neste sentido escreve o Papa Bento XVI na exortação apostólica Sacramentum Caritatis: “Na perspectiva da responsabilidade social de todos os cristãos, lembro que o sacrifício de Cristo é mistério de libertação que nos interpela e provoca continuamente. Dirijo, pois, um apelo a todos os fiéis para que se tornem realmente obreiros de paz e justiça” (n.89). Que milagre maior, que sinal maior pode haver hoje, que constituirmos comunidades de fé e vida, que a partir da força do Evangelho continuem a missão de Jesus, de trabalhar pelo Reino de Deus com palavras e ações?
A Igreja é um povo sacerdotal porque todos, pelo batismo, tem a missão de seguir Jesus Cristo, construindo este mundo novo, o Reino de Deus que Ele anunciou e iniciou (iremos abençoar o óleo dos catecúmenos usado no batismo). Na Igreja existe, porém o sacerdócio ministerial (iremos abençoar o óleo do crisma, para ungir os sacerdotes) são os presbíteros, eles recebem o sacramento da ordem das mãos dos bispos, para exercerem um “ofício de amor” (amoris officium) em favor do povo de Deus (cf. S. Agostinho in Ioh. Ev. 123,5: PL 35,1967). Diz são Clemente Romano: “O Pai enviou Cristo, Cristo enviou os apóstolos e estes constituiram presbíteros nas comunidades” (cf. Carta aos corintios n. 44).
O sacerdócio ordenado se distingue do sacerdócio comum dos fiéis não só em grau, mas também em essência. Dentro da comunidade eclesial, as relações são avaliadas em nível de serviço e não de poder. Esta realidade se manifesta na celebração eucarística. Quem preside a comunidade e é por ela responsável, preside também a Eucaristia. Dentro da comunidade eclesial, o bispo e seu presbitério, são os mais próximos do Cristo Servo, na consagração total de suas forças e sua vida ao trabalho pastoral, e atividades eclesiais. Nos presbíteros Jesus dá à sua Igreja um dom valioso. Eles sinalizam a presença amorosa do Bom Pastor que através da caridade pastoral dá a vida pelo rebanho.
Quero agradecer a Deus pelo nosso presbitério, pelo presbitério da Diocese de Amparo. Agradeço não só a acolhida que tenho recebido dos padres, mas também o trabalho e dedicação à nossa Igreja. Sei das dificuldades que marcaram a caminhada, admiro a fortaleza e perseverança com que souberam superar os desafios. Convido-os a vivenciar um novo tempo, com a graça de Deus. Vamos dar espaço à esperança! Meu coração de bispo estará sempre aberto para recebê-los, ouvi-los e ajudá-los em todas as circunstâncias. O bispo deve ser para o presbitério um pai, irmão, princípio, firmeza, apoio, sustentação e sinal de unidade. Peço que me ajudem a ser o bispo que desejam e esperam, aproximando-se de mim com confiança e simplicidade para o diálogo na verdade e caridade. Só assim poderemos crescer na unidade.
Permitam-me lembrar com o papa Bento XVI que “o sacerdote nunca deve colocar em primeiro plano a sua pessoa nem suas opiniões, mas Jesus Cristo” ( Sacramentum Caritatis n. 23) como dócil instrumento nas mãos de Cristo o sacerdote deve apontar sempre para Ele. Por isto o sacerdote é homem de oração. É impossível um sacerdote se manter sem a oração, é impossível que seu trabalho dê frutos bons sem a oração. A Igreja pode viver sem obras, mas não sem oração, porque a oração é a respiração da Igreja, é a respiração da vida sacerdotal. Imitemos Jesus, o grande orante, que nos interpela a vigiar e orar sem cessar. Com isto alerto a todos para fugir da acomodação, mas também do ativismo estéril e cultivar uma robusta espiritualidade a qual dá sabedoria e força interior.
A partir da união com Cristo, num amor de identificação, alimentado pela oração, é que o presbítero poderá ser especialista em relacionamento. “A dimensão relacional, própria do sacramento recebido, cria relações com Deus, com o bispo, com os demais presbíteros, na agregação ao presbitério, e com a comunidade à qual serve, em uma verdadeira fraternidade. Todo este feixe de relações procede da graça do sacramento da Ordem” (CNBB, Subsídios Doutrinais nº 5 de 2010 - n. 25). A espiritualidade bem cultivada vai animar e unificar o ministério presbiteral, o qual “tem radical forma comunitária e só pode desenvolver-se como tarefa coletiva”(Doc. Aparecida n.195). A consciência da limitação de cada um, vai fazer que se valorize a pastoral orgânica através da qual todos se ajudam (cf. Doc. Aparecida n. 198).
Permitam-me mais uma vez exortar-vos para trabalharmos pela unidade do presbitério. A relação do presbítero com o Presbitério deve ser como a relação matrimonial (cf. in Estudos da CNBB/n. 88, p.135s). Na ordenação e no dia a dia, cada padre, e todo o presbitério, deve dizer reciprocamente: “Sou teu na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, amando-te e respeitando-te todos os dias de minha vida”. Cada padre deve ter claro que no dia da ordenação sacerdotal foi chamado a integrar um grupo, a fazer parte da “família presbiteral”. No dia da ordenação, começou a correr nas veias do novo padre o sangue do presbitério. Tal é a importância desta nova família que traz ao presbítero o dever da co-responsabilidade por tudo e por todos. Somos responsáveis uns pelos outros no presbitério e devemos assumir este fato.
Peço a todo o povo de Deus que reze pelos padres e lhes dê apoio em seu ministério. De modo especial vamos apresentar diante de Deus os presbíteros desta Igreja que já partiram para a casa do Pai. Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.
+Dom Pedro Carlos Cipolini – Bispo Diocesano de Amparo
 
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