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Por que Batizar?:

16 de janeiro de 2008

Neste domingo dia 13 de janeiro, a Liturgia propõe a Festa do Batismo do Senhor. Por que Jesus se fez batizar no Rio Jordão? Por que os cristãos são batizados?

Todo sacramento é um sinal. Os sinais, exteriormente, são percebidos pelos sentidos. A coisa significada só pode ser compreendida pela fé.

João Batista prega a vinda de Cristo e anuncia ao mesmo tempo a sua superioridade. Mas aquele a quem João não é digno de desatar as correias das sandálias submete-se ao batismo do Batista. Jesus quer fazer parte do movimento de renovação suscitado pelo Batista, quer ser solidário com os pecadores necessitados de conversão.

O batismo de Jesus, gesto de submissão e de condivisão, é já a expectativa do batismo de fogo ao qual o Filho se dirige, conforme Lucas 12,50. Isso compreende e antecipa todo o caminho de Jesus. E, juntamente, o de cada homem.

O batismo do cristão é imersão no Cristo. Jesus de Nazaré morto e ressuscitado pelo Pai, é condivisão da sua vida conosco. Dividida entre o Pai e os irmãos, em tensão contínua para o outro, que se traduz em serviço aos outros, em constante união com a fonte, capaz de saciar a sede da terra árida que é o coração de todo homem.

Ser batizado é receber o dom da fé, isto é reconhecer em Jesus o Filho de Deus. Reconhecer nele aquele no qual o Pai se compraz, a vida eterna que tem junto do Pai e que nos foi comunicada.

Jesus recebe o batismo para cumprir toda a justiça. O fato de João batizar com um batismo de remissão dos pecados, enquanto Jesus, sendo Filho de Deus, não é pecador, explica-se porque convém que assim se cumpra toda a justiça. Em Mateus a “justiça” é sempre a conformidade com a vontade de Deus. No batismo de Jesus, seja Jesus, seja João, obedecem à vontade do Pai. João deve ainda uma vez batizar para que Jesus receba a investidura do “Servo”. Por isso Jesus invocará o seu batismo quando lhe perguntarem de onde lhe vem a sua autoridade, cf. Mateus 21,23. De sua parte, Jesus inicia o seu ministério de Servo fazendo-se solidário com os pecadores. Somente assim poderão ser salvos. É essa mesma justiça expressa em termos de “necessidade” que determinará o caminho da cruz de Cristo (cf. Mateus 16, 21).

O batismo é o sacramento de nossa união com Cristo. Como ensina São Paulo, o cristão foi batizado em Cristo Jesus. Mediante este sacramento, o cristão está morto com Cristo, foi sepultado juntamente com ele; viverá definitivamente com ele (cf. Romanos 6, 3-11; Colossenses 2, 12-13).

No batismo, o fiel se une à sua cabeça, o Salvador, e a ele liga o próprio destino para atingir com ele à salvação. No que foi batizado renova-se o evento salvífico de Cristo, em particular a sua morte redentora e a sua ressurreição.

São Paulo exprime esta realidade com expressões muito vivas: os fiéis, escrevendo aos Romanos, “foram batizados na morte de Cristo” (6,3); “o homem velho” foi crucificado com Cristo, a fim de que “fosse anulado o corpo do pecado” (6,6). Ao mesmo tempo explica: O batismo assinala o início da “vida nova” (6,4): “Fostes sepultados com ele no batismo, no qual também fostes ressuscitados” (Colossenses 2,12). O cristão torna-se em Cristo uma nova criatura: uma realidade nova vive e cresce nele. Revestido de seu Senhor (Gálatas 3,27), ele vive em Cristo e Cristo nele.

O cristão adquire vida nova seja no Cristo, seja no Espírito Santo. Um e outro determinam a sua vida, pois ambos são enviados por Deus, como testemunhas do seu amor e protagonistas da obra da salvação.

Como Jesus no seu batismo, assim todos os batizados receberam o dom do Espírito, que fez deles um só corpo. Unido assim a Cristo e vivendo da vida do seu Espírito, o cristão é agregado ao corpo mesmo de Cristo, que é a Igreja. O batismo incorporando os fiéis a Cristo, constitui a comunidade animada pelo Espírito.

A festa de hoje nos leva a meditar sobre o significado do batismo, o de Cristo e o do cristão. É ocasião para renovar o nosso empenho missionário porque a Epifania do Senhor, a sua manifestação ao mundo, deve continuar no tempo, e outros seres humanos devem encontrar Cristo, respondendo livremente à sua chamada.

Como João Batista, devemos atestar ao mundo: “Eu o vi e dou testemunho que ele é o eleito de Deus” (João 1,34).



Dom Geraldo M. Agnelo

* Cardeal Dom Geraldo Majella Agnelo é arcebispo de São Salvador da Bahia e ex-presidente da CNBB

Fonte: Site da CNBB
 
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