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O nome de Deus é misericórdia:

Cardeal Odilo P. Scherer
Arcebispo de São Paulo (SP)



Acaba de ser publicado, em Roma, o livro – O nome de Deus é misericórdia -, produzido pelo jornalista italiano Andrea Tornielli a partir de entrevistas e longas conversas com o Papa Francisco sobre o tema da misericórdia. Em breve, também estará ao alcance dos leitores em língua portuguesa.

Mais que reflexões sobre a misericórdia, apropriadas para o Ano Santo extraordinário da Misericórdia, o livro é um convite a fixar a atenção no centro da fé religiosa: Deus, que é misericórdia, e a se confrontar com a própria atitude religiosa: se quiser ser verdadeira, ela precisa, acolher a misericórdia de Deus de maneira confiante, vivendo de forma coerente com ela.

Parece fácil, mas o homem teve sempre dificuldades para se confrontar com a misericórdia de Deus: aceitá-la, é confessar a própria insuficiência e fragilidade; é reconhecer que nós não somos a última instância de poder e decisão e que não bastamos a nós mesmos; é fazer as contas com nossos limites e aceitar a mão estendida, o amparo no desalento e a resposta que nos transcende para as questões mais angustiantes.

Aceitar a misericórdia de Deus requer uma boa dose de humildade, conceito que anda sumido nas relações humanas e até pode falsear as atitudes religiosas. Na vida social, assumem-se posturas soberbas diante dos que não conseguem acompanhar o mundo “dos melhores”, muitas vezes feito de vaidades e dissimulações. Os pequenos e fracos podem também uma boa ocasião para a autopromoção e para uma bondade apenas de verniz. A misericórdia leva a descer ao nível do outro, na sua miséria, para acolhê-lo no olhar, nos braços e no coração.

Nas atitudes religiosas também pode haver soberba e autossuficiência, como já alertou Jesus no caso do fariseu e do publicano, que foram ao templo para rezar. O fariseu foi contar suas vantagens para Deus, como a dizer que já era perfeito em tudo e que Deus lhe devia tanto... Jesus desaprovou essa forma soberba de se relacionar com Deus, que também pode estar presente na lamúria contra Deus, ou quando se colocam todos os males na conta de Deus, sem reconhecer a responsabilidade humana.

Essa forma farisaica de praticar a religião, em vez de partir do reconhecimento da soberania de Deus, parte da exaltação da própria vaidade. Ela pode estar presente também no indiferentismo de quem pergunta candidamente: “Deus? Para quê, Deus? Não preciso de Deus e resolvo tudo por mim mesmo”. O indiferentismo e o ateísmo prático desconhecem a experiência da misericórdia de Deus, que salva, perdoa, restaura e dá sentido à existência.

Mas também pode estar presente na falta de consciência dos próprios pecados e da necessidade de pedir o perdão a Deus: é a pretensão soberba de assumir a condição de árbitro supremo sobre o bem e o mal: “Pecado? Não tenho pecados e não preciso pedir perdão de nada”. São Paulo, antes da sua conversão, conheceu essa soberba e pretendeu ser perfeito pelo seu próprio esforço, não se dando conta de quanto estava fora do caminho! Mas após o encontro surpreendente com Jesus, às portas de Damasco, ele mudou de ideia e passou a reconhecer: “Jesus Cristo veio ao mundo para salvar os pecadores, primeiro dos quais sou eu mesmo”.

Muitos clamam logo por uma “mudança nas estruturas”, ou até por “modernização da doutrina e da moral da Igreja”. Na verdade, o que a Igreja e a humanidade toda precisam é de um banho de verdade e autenticidade. E faz parte dessa renovação o humilde e sincero reconhecimento de que só Deus é Deus e que o homem não é Deus. Nem por isso, o homem é esmagado ou aniquilado, mas encontra a base do seu verdadeiro valor. Trocar estruturas, sem mudar de atitudes, é como colocar vinho novo em barricas velhas...

Deus é todo-poderoso e, por isso mesmo, também pode ser todo misericordioso. A misericórdia faz parte da soberania e supera a justiça da lei. Por ser justo e poderoso, Deus pode perdoar e erguer do pó o indigente, curar o doente, mostrar a luz do caminho e dar o sentido à vida do homem.

Fonte: www.cnbb.org.br
 
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